quinta-feira, 12 de julho de 2007

O Engodo das Fundações Estatais

O Engodo das Fundações Estatais

A recente proposta do Governo Federal de transferir a gestão de diversos serviços públicos essenciais, entre os quais a Saúde, para a administração indireta através da criação de uma nova personalidade jurídica a fundação publica de direito privado, chamada pelos teóricos de Fundação Estatal,tem sofrido forte reação de diversos setores da sociedade.

A proposta encontra-se na Casa civil da Presidência da Republica e deve chegar ao Congresso Nacional na forma de Projeto de Lei Complementar para regulamentar a Emenda Constitucional 19 de 1998 e permitir a criação por parte do poder público das Fundações, que a principio e segundo relatos do próprio Ministro da Saúde seriam utilizadas como modelo para a Gestão dos Hospitais Públicos Federais.


Embora ainda deva render, esperamos, um bom e prolongado debate no Congresso Nacional, se aprovado, certamente terá um efeito cascata e através do estímulo federal deve se alastrar pelos Hospitais Públicos Estaduais, atingindo a plenitude do Sistema Único de Saúde, a despeito da posição contrária do órgão maximo de deliberação do controle social do SUS, O Conselho Nacional de Saúde.

A proposta foi gestada no Ministério do Planejamento como alternativa ao modelo atual da administração direta, de algumas fundações de apoio dos Hospitais Públicos Federais do próprio Ministério da Saúde e da Educação, e outras formas de gestão atacadas pelo Ministério Publico como as Organizações sociais e OSCIPES .O Ministério do Planejamento tem sido desde o governo FHC e agora no governo Lula, o berço do pensamento neoliberal e do Estado mínimo e tem se esmerado em encontrar saídas de governo para as amarras das leis criadas pelo Estado Brasileiro.

O diagnóstico da precariedade da situação da prestação dos serviços públicos essenciais ao povo brasileiro,entre os quais a assistência hospitalar é, há muito conhecida e tem muitas causas . A principal delas, esquecida de propósito pelos teóricos do Planejamento, é o sub-financiamento público do setor saúde, para ficarmos apenas nesta área social, carente de um modelo regular e constante de financiamento quer pela união , quer por estados e municípios, como prevê a emenda constitucional 29, negligenciada em sua regulamentação desde 2000.


O vergonhoso desvio de verbas originalmente destinadas para o setor saúde como o caso da CPMF e os constantes contingenciamentos para superávits primários que impedem a execução orçamentária pelo Ministério da Saúde,(este ano já foi contigenciado 5,7 bilhões ), complementam a penúria orçamentária do setor.Em verdade, se todo o orçamento da Saúde fosse executado ainda investiríamos no Brasil, per capita, valores inferiores ao Uruguai, Chile e Argentina.

Maior prova desta tese, é que com raríssimas exceções mesmo os Hospitais e Santas Casas de regime privado, portanto que já funcionam sem as amarras da administração pública direta e que atendem majoritariamente o SUS (remunerados pela sua tabela aviltante) estão em seriíssimas dificuldades financeiras e muitos já fecharam suas portas.

Ignorando a questão do financiamento, o Ministério do Planejamento prefere atacar a administração direta, destacando a falência administrativa pública e os servidores públicos como os maiores vilões pela realidade atual de má prestação de serviços.Necessário se faz concordar, que a assistência hospitalar publica e o atual modelo de gestão pela administração direta requer importantes e imprescindíveis ajustes,mas é difícil acreditar que repassando a sua responsabilidade direta constitucional de gerir os serviços, vá haver mais profissionalismo e compromisso da gestão, e que os recursos necessários serão disponibilizados para a melhoria da assistência.

As Fundações vem ao encontro muito mais de resolver o problema dos gestores do que o problema dos usuários do SUS, como já era de se esperar da proposta dos teóricos do Planejamento, senão vejamos:

Repassando os atuais funcionários públicos estatutários para a Fundação Estatal com ônus para esta ultima estes passam a ser remunerados através do repasse do Estado para a nova Estrutura definido no contrato de gestão, desonerando a folha de pagamento do orçamento geral da união e estados, e finalmente conseguindo burlar a lei de responsabilidade fiscal no tocante ao pagamento de pessoal. Esta manobra da nova lei, ainda resolve o problema dos governos em relação a previdência própria da União e Estados quebrada, diga-se de passagem por desvios de recursos dos governantes para outras finalidades.

Um outro problema que se resolve é o da estabilidade dos servidores e da carreira de estado para os profissionais de saúde,antigo calo dos governos que, por falta de vontade política e incompetência gerencial, nunca estabeleceu política de avaliação de desempenho, como previsto na emenda constitucional 19, capaz de valorizar os bons e demitir os maus profissionais.

O regulamento próprio para as licitações a ser instituído pelo novo modelo de gestão permite ainda flexibilizar a lei atual 8666, facilitando os processos, mas tudo dentro da lei.

Importante ainda destacar que além do repasse do dever de estado repassado na proposta restam feridos alguns princípios do SUS, , e mais marcantemente e ferido de morte estará o Controle Social, que necessariamente será submetido aos Estatutos da Fundação e a composição do Conselho Curador a ser instituído.

Tudo isso em beneficio dos bons serviços a população! A revelia da Constituição e das Leis 8080 e 8142. Mas quem governa é o Governo! O Estado Brasileiro que resista, se puder. Salve-se quem puder! O povo que se organize e reaja ! Quem viver verá.



*André Longo, é Vice-Presidente do CREMEPE (Conselho Regional de Medicina de Pernambuco) e Diretor da FENAM (Federação Nacional dos Médicos).

segunda-feira, 9 de julho de 2007

Pra quem está chegando agora!

Boas vindas a você que acessa este Blog pela primeira vez!
Sinta-se à vontade.
Este é o Blog do Coletivo A Roda da Saúde, e tem por objetivos publicar nossas Cartas e análises sobre a proposta das Fundações Estatais de Direito Privado, que deverá chegar à Câmara em Agosto deste ano. Até agora, publicamos aqui nossas Cartas Abertas, a Carta que o Movimento Estudantil entregou ao Ministro Temporão no dia de sua visita ao Recife (22 de junho de 2007), e uma matéria que saiu na mídia eletrônica. Em pouco tempo, estaremos publicando aqui análises aprofundadas dos Militantes do nosso Coletivo sobre a proposta, como também textos de outros Autores que versem sobre o tema.

Abaixo de todos os tópicos, temos o espaço para Comentários. Usem e desfrutem dele, pois só através do debate franco e sério poderemos avançar na nossa luta.

Saudações Cidadãs,
Coletivo A Roda da Saúde

Nova Carta de Apresentação

Aí pessoal,
essa é a nossa carta de apresentação, curtinha e concisa.

Fundações Estatais Públicas de Direito Privado

A Roda da Saúde é um movimento constituído pelas entidades e movimentos que subscrevem este documento, criado a partir da necessidade de fortalecer o cumprimento constitucional de Saúde e Educação como direito do cidadão e dever de Estado.
O Governo Federal estará encaminhando ao Congresso, em agosto (ver minuta no site do Ministério do Planejamento), proposta de Lei complementar criando a figura jurídica das Fundações Estatais Públicas de Direito Privado para as áreas da Saúde, Educação, Assistência Social, Cultura e Desportos com o viés de que são atividades não-exclusivas de Estado e com o pressuposto de agilização e modernização da Administração Pública.
Em nosso entendimento essa proposta de Lei aponta para a desresponsabilização do Estado brasileiro para com suas obrigações constitucionais, transgredindo e transferindo para o setor privado o que estrategicamente é obrigação de Estado. É importante informar, difundir e aglutinar a sociedade brasileira para os perigos da implantação do “Estado Mínimo” como meta do atual Governo.
Desta forma convidamos você e sua instituição a mobilizar-se e participar de nosso grupo integrando-o através do site:
http://rodadasaude.blogspot.com

Matéria no Blog do Jornal do Comércio

A decisão do governo federal de transformar os hospitais públicos em fundações estatais de direito privado, através de projeto já enviado à Câmara Federal, não vai passar sem resistências.

Em Pernambuco, representantes do Conselho Regional de Medicina (Cremepe), do Sindicato dos Médicos de Pernambuco e de movimentos sociais e estudantis já entraram em campo para combater o projeto que, na última sexta (22), foi defendido no Recife pelo ministro da Saúde José Gomes Temporão.

As entidades vão encaminhar a todos os parlamentares e à Presidência da República um documento em defesa do SUS (Sistema Único de Saúde) público e gratuito, como estabelecido na Constituição.

Para o Cremepe, o projeto do governo federal seria uma manobra para se eximir da responsabilidade sobre a saúde da população e privatizar os hospitais. Lei a íntegra do documento.

"Contra as fundações estatais de direito privado.

O Ministro da Saúde anunciou o envio de um projeto de lei que transformará todos os hospitais públicos em fundações estatais de direito privado. Estamos assistindo a uma crescente desresponsabilização do Estado Brasileiro com a saúde e educação de nossa população. A Reforma Sanitária conquistou o direito à saúde e os movimentos sociais lutam cotidianamente pela efetivação do Sistema Único de Saúde em sua plenitude.

Todos os hospitais do SUS são conquistas da população e a falta de solução para o seu financiamento, modelo adequado de gestão, controle e avaliação e controle social gera problemas não só para a comunidade, que sofre com a falta de condições e que sente na pele as limitações para uma boa resolução de sua necessidade de saúde.

Vimos através deste documento nos colocar contra a transformação dos hospitais em fundações públicas de direito privado.

Essas fundações se constituem em agressão à Constituição Federal e aos direitos conquistados e consagrados pela sociedade brasileira, sendo puramente um instrumento privativista.

Exigimos a regulamentação imediata da emenda constitucional 29, destinação integral da CPMF à saúde e a proporcionalidade do aumento do custeio do SUS ao aumento do PIB nacional.

SAÚDE E EDUCAÇÃO NÃO SÃO MERCADORIAS! É DIREITO DO CIDADÃO E DEVER DO ESTADO BRASILEIRO!"

Carta Aberta aos Parlamentares do Brasil

Esta foi a primeira publicação do Coletivo Roda da Saúde, enviada aos parlamentares.



Contra as Fundações Estatais de Direito Privado


O Ministro da Saúde anunciou o envio de um projeto de lei que transformará todos os Hospitais públicos em fundações estatais de direito privado. Estamos assistindo a uma crescente desresponsabilização do Estado Brasileiro com a saúde e educação de nossa população. A Reforma Sanitária conquistou o direito à saúde e os movimentos sociais lutam cotidianamente pela efetivação do Sistema Único de Saúde em sua plenitude.

Todos os Hospitais do SUS são conquistas da população e a falta de solução para o seu financiamento, modelo adequado de gestão, controle e avaliação e controle social gera problemas não só para a comunidade, que sofre com a falta de condições, e que sente na pele as limitações para uma boa resolução de sua necessidade de saúde.

Vimos através deste documento nos colocar contra a transformação dos Hospitais em Fundações Públicas de Direito Privado.
Essas fundações se constituem em agressão à constituição federal e aos direitos conquistados e consagrados pela sociedade brasileira, sendo puramente um instrumento privativista.

Exigimos a regulamentação imediata da EMENDA CONSTITUCIONAL 29, DESTINAÇÃO INTEGRAL DA CPMF À SAÚDE e a proporcionalidade do aumento do custeio do SUS ao aumento do PIB nacional .

SAÚDE E EDUCAÇÃO NÃO SÃO MERCADORIAS! É DIREITO DO CIDADÃO E DEVER DO ESTADO BRASILEIRO!

Saudações cidadãs.
Diretório Acadêmico de Medicina Umberto Câmara Neto - DAMUC- UFPE
Diretório Acadêmico de Psicologia da - DAPSI - UFPE
Centro Acadêmico de Fisioterapia da UFPE - CAFISIO
Coletivo de Estudantes de Medicina da UPE
Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra - MST-PE
Associação Pernambucana de Residentes de Saúde Coletiva - APRESC
Fórum de Residentes de Saúde Coletiva
Sindicato dos Médicos de Pernambuco - SIMEPE
Associação Pernambucana de Médicos Residentes - APMR
Coletivo A Ciranda - UFPE
Movimento Caranguejo Uçá - Ilha de Deus
Rede de Resistência Solidária
Movimento Êxito de Rua
Conselho Regional de Medicina de Pernambuco - CREMEPE
Associação Médica de Pernambuco - AMP-PE
Instituto PAPAI-PE
Mandato do Deputado Paulo Rubem Santiago PT-PE

Carta do Movimento Estudantil ao Ministro Temporão

Esta carta foi entregue nas mãos do Ministro da Saúde, Temporão, e do Governador do Estado de Pernambuco, Eduardo Campos, no dia da visita do Ministro ao Recife.

Foi fruto do Ato Público organizado pelo Movimento Estudantil da Saúde.


Excelentíssimo Ministro da Saúde,

Estamos assistindo a uma crescente desresponsabilização do Estado Brasileiro com a saúde e educação de nossa população. A Reforma Sanitária conquistou o direito à saúde e os movimentos sociais lutam cotidianamente pela efetivação do Sistema Único de Saúde em sua plenitude.

Os Hospitais Universitários são conquistas da população e a falta de solução para o seu financiamento gera problemas não só para a comunidade acadêmica, que sofre com a falta de condições de desenvolver atividades de ensino-aprendizagem como à comunidade, que sente na pele as limitações para uma boa resolução de sua necessidade de saúde.

Vimos através deste documento colocar o posicionamento contrário a transformação dos Hospitais Universitários em Fundações Públicas de Direito Privado das entidades (colocar as entidades) pois acreditamos em outra forma de financiamento da saúde em nosso país.

Vimos pedir a regulamentação imediata da EMENDA CONSTITUCIONAL 29 (aprovada desde 2000) e DESTINAÇÃO INTEGRAL DA CPMF À SAÚDE como solução para o financiamento dos HU´s.

SAÚDE E EDUCAÇÃO NÃO SÃO MERCADORIAS! É DIREITO DO CIDADÃO E DEVER DO ESTADO BRASILEIRO!

Saudações Libertárias,
DAMUC-UFPE
CAFISIO-UFPE
DAPSI-UFPE
COORDENAÇÃO REGIONAL NORDESTE 2 - DENEM
COLETIVO A CIRANDA - UFPE
SINTUFEPE
COLETIVO DE ESTUDANTES DE MEDICINA DA UPE
MANDATO DO DEPUTADO PAULO RUBEM SANTIAGO PT-PE
APMR